12.19.2013

Amazing Animated Optical Illusion


Um desenho estático e uma folha transparente com listras negras. Movimentos impressinantes.

High School Basketball Player Makes an Amazing Behind-the-Back Shot While Running Out of Bounds


Vinton, Virginia William Byrd High School student and basketball player Marvey’o Otey surprised everyone in the bleachers during a recent game. In the middle of the fourth quarter, he was passed the ball while running full speed down the court. Marvey’o thought quickly, and managed to make an amazing behind-the-back shot while soaring out of bounds. by  on December 12, 2013
video via Juan Lopez
via Deadspin

12.08.2013

Bondade

"Creio na bondade sem a garantia prévia da gratidão. Sem que se assegure da memória devedora. Sem que se estabeleça, pelo ato generoso, uma servidão vitalícia no beneficiado. Bondade paga-se no puro e simples ato de sua realização. Como um fruto justifica a existência útil da árvore. Bondade antevendo a recompensa é apólice de sociedade mutualista rendendo do capital intocável do favor inicial. Os pássaros não são devedores dos frutos e da água da fonte. Eles testificam, perante a natureza, a continuidade da missão cultural." - Câmara Cascudo, em "O Tempo e Eu".

10.22.2013

Enquanto isso, na terrinha....O deputado Jean Wyllys como sempre mandando bem:

"O Facebook removeu, hoje, a postagem sobre fatos acontecidos em plenário, no dia 08, por supostamente violar regras da comunidade. Está claro que não existe critério na remoção das postagens, apenas o critério da quantidade de denúncias, mesmo que o objetivo seja o de mera censura. Portanto, ganha quem arregimenta mais usuários para denunciar (a qual custo?), e perde quem faz desta ferramenta um espaço útil de discussão política.

Enquanto isto, comunidades que pregam o ódio contra negros, homossexuais, mulheres, entre tantos outros, utilizando a difamação e a incitação à violência, continuam com seus conteúdos no ar. Quem os denuncia recebe, em poucos minutos, um aviso de que não há nada de errado naquilo.

Em respeito aos nossos seguidores, repostamos o conteúdo removido abaixo:

O deputado ruralista Alceu Moreira (PMDB-RS) chamou, no microfone, os indígenas de "meia dúzia de vagabundo". Nós reagimos a essa ofensa. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) entrou com uma questão de ordem e pediu que o discurso do ruralista fosse retirado dos anais.

Outro ruralista, Luiz Carlos Heinz (PP-RS) não gostou do pedido e partiu para a agressão física contra Ivan Valente, ameaçando-o. Heinz dizia, como um valentão de 5ª série e partindo para cima de Ivan, "vou te pegar lá fora!". O brucutu precisou ser contido!

Esses ruralistas estão acostumados a usar a força bruta quando contrariados! Gente que desconhece estado de direito e democrático!"

Obituary printed in the London Times

Today we mourn the passing of a beloved old friend, Common Sense , who has been with us for many years. No one knows for sure how old he was, since his birth records were long ago lost in bureaucratic red tape. He will be remembered as having cultivated such valuable lessons as:

- Knowing when to come in out of the rain;
- Why the early bird gets the worm;
- Life isn't always fair;
- And maybe it was my fault.

Common Sense lived by simple, sound financial policies (don't spend more than you can earn) and reliable strategies (adults, not children, are in charge).

His health began to deteriorate rapidly when well-intentioned but overbearing regulations were set in place. Reports of a 6-year-old boy charged with sexual harassment for kissing a classmate; teens suspended from school for using mouthwash after lunch; and a teacher fired for reprimanding an unruly student, only worsened his condition.

Common Sense lost ground when parents attacked teachers for doing the job that they themselves had failed to do in disciplining their unruly children.

It declined even further when schools were required to get parental consent to administer sun lotion or an aspirin to a student; but could not inform parents when a student became pregnant and wanted to have an abortion.

Common Sense lost the will to live as the churches became businesses; and criminals received better treatment than their victims.

Common Sense took a beating when you couldn't defend yourself from a burglar in your own home and the burglar could sue you for assault.

Common Sense finally gave up the will to live, after a woman failed to realize that a steaming cup of coffee was hot. She spilled a little in her lap, and was promptly awarded a huge settlement.

Common Sense was preceded in death,
-by his parents, Truth and Trust,
-by his wife, Discretion,
-by his daughter, Responsibility,
-and by his son, Reason.

He is survived by his 5 stepbrothers;
- I Know My Rights
- I Want It Now
- Someone Else Is To Blame
- I'm A Victim
- Pay me for Doing Nothing

Not many attended his funeral because so few realized he was gone.

9.29.2013

Testgram

Instagram

Snoqualmie Falls - Washington






9.21.2013

Encontro

“O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”

- de uma carta de Hélio Pellegrino, (in O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, editora Record, 79ª edição, 2005, SP/RJ).

9.15.2013

Ensaio sobre as relações 2 - Fernanda Haje

A alcunha de fraternas normalmente se dá nas ligações sanguíneas, mas nossas ligações covalentes provaram ao longo dos anos, que identificamos muitos mais pares do que qualquer característica genética. Tanto que nossa amizade foi motivo de tormento ao brio daquele de mesmo cognome, achávamos aquela suposição curiosamente engraçada, pois sabíamos, mesmo silenciosamente, que nossa relação sempre esteve fadada a irmandade da tradição fraternal, se unindo para colecionar gotas de alegria, camaradagem, contos e bebedeiras. Talvez, pelo simples fato de termos tido conexão instantânea e sermos amigas de infância, mesmo que a gente tenha se conhecido com vinte e poucos anos.
O tempo que vivemos é um momento difícil para os que ousam sonhar, mas quando chega a hora, é preciso saltar sem hesitar e buscar os meios para atingir a felicidade. Ela chega sorrateira e simples, como no sorriso inocente dos seus rebentos, ou no café da manhã reforçado, tão cheio de gordice, que chegava a assustar a Angel. A verdade é que naquele tempo podíamos confiar no nosso metabolismo e foi delicioso saborear nossa fase de glutonas com toda a pompa dionisíaca. Que falta faz esse tempo de tranquilidade com a silhueta, quando a preocupação com as calorias não fazia parte do nosso cotidiano.
Foi no início do novo milênio que nossas vidas se cruzaram. De pronto, nossa faceta suburbana nos colocou mais perto geograficamente, daí o trem da alegria foi pedindo passagem e colecionando momentos singulares e inesquecíveis; como as tardes de diversão garantida, a comilança abundante, os esmaltes extravagantes, sua necessidade constante de estar mais próxima à Iemanjá e banhar-se nas águas do mar, também nos renderam tardes leves e divertidas, muitas vezes, regadas a suco de cevada e riso solto. Não ficam atrás também nossas aventuras automobilísticas, minhas altercações matinais com minha progenitora, a ira do taxista também ficará para sempre na memória. Contudo, o onipresente era mesmo muita cantoria, especialmente quando ouvíamos You Oughta Know ou Try a little tenderness. Nós sempre fizemos questão de utilizar toda a nossa potência vocal, artística e sem noção. Diversão pura, simples e garantida. Não podemos esquecer também, da minha incrível capacidade de ser planta e o fato de sempre ter me identificado com seu lado ‘João Grandão’ de ser.
Nosso cotidiano trabalhando lado a lado foi célere e mesmo falando o idioma da rainha de forma a dar orgulho na mamãe, chegar à terra de São Patrício foi um choque cultural e meteorológico. Ainda assim, não esmorecestes e fora até a ilha celta me visitar durante a comemoração do meu aniversário, e mais uma vez criarmos memórias incríveis, dessa vez, com os murais sectários como cenário. Os minutos que passamos juntas são sempre nobres, conseguimos de forma singular ser o melhor de nós uma para outra, não que sempre fora assim ou que tenhamos conquistado isso fácil, pois mesmo que durante a história da nossa amizade não existam momentos de peleja, existem momentos de dissonância. Durante a minha catarse pessoal, aprendemos que o silêncio pode falar quando as palavras falham. Embrenhei-me no casulo, e mesmo afastando a tudo e a todos, você se manteve ali, a espreita de uma nova possibilidade de troca. Lealdade em riste, e logo que espiei a superfície, lá te vi, de sorrisão no rosto e braços abertos. Acho que eu seria uma pessoa muito mais triste, se não tivesse você ao meu lado nessa batalha constante que é a vida. Minha amiga de fé, irmã, camarada, o que seria de mim se tivesse te perdido? Às vezes, me sinto culpada por estar tão afastada, mas com o amadurecimento, aprendi também que emoções dessa natureza não me trazem nenhum sentimento positivo, só frustração. Preferi concentrar nas coisas boas e tentar sempre potencializá-las. Sei das minhas limitações, mas sei também que posso ser cada vez melhor.
Tivemos a oportunidade de conhecer variados sítios e compartilhar experiências únicas, localidades aqui e acolá, danças típicas ou ensaiadas, de Mauá até a Irlanda, com escala na Big Apple. No retorno, praiana em cabo frio e descanso em Itaboraí. Até um castelo no povoado de Trim visitamos, Búzios também entra na lista e a última vez que tive a oportunidade de ver as torres gêmeas de pé, foi na sua companhia. Aquela foi mesmo uma viagem intensa, aproveitamos bastante e nos divertimos como sempre, a valer. E mesmo com cacófato, não pode deixar de ser mencionado, o quiche mais chique que comi na minha existência. Aquele ombro amigo da ida se fez mesmo necessário, pois tardou chegar o descanso físico desse dia de alegrias, porque realmente só com muita energia para fechar com chave de ouro. Eu sei, eu sempre fui muito animada, como diz você: um trio elétrico ambulante. Essa perpétua urgência de viver, vai ver que foi assim que destruí seu buquê.
Temos muitos causos para prosa, mas um dos meus favoritos é o da Casa da Matriz, a folia e a nossa parcela sem noção estavam no cocuruto: nossa série ritmada de improvisos e passos, o ‘problema’ técnico com a porta, o cochilo na fila do Bob’s, as batatas nadando. Sempre uma maratona de júbilo. Na última vez que estivemos juntas, eu me senti tão bem cuidada e amada, foi um transbordamento de alegrias e orgulho conhecer sua faceta mãe e seu primogênito, mas é difícil saber que ainda não sou uma tia no coração do seu rebento. No meu, sou desde antes deles existirem e tenho a certeza que quando nos encontrarmos consigo meu posto com condecorações e honrarias. Entristece-me, no entanto, perder tantas fases dessa evolução. A tecnologia ameniza, mas não existe nada como a presença, o calor humano e uma sessão de cosquinha da tia maluquinha, já diria Belinha; e a verossimilhança é verdadeira.
Nunca tivemos tendência ao consumismo e nosso senso de moda é básico, mas isso acho que é mais por sermos desprovidas da abundância capitalista. Com você aprendi a curtir os sapatos de boneca retrô, as orquídeas e amabilidade manente. E esteja certa, que eu não me esqueci que te devo um jogo de lençol, depois que meus amigos franceses não tomaram banho, mesmo após passar a manhã inteira na praia (entrando na água várias vezes), almoço no peixe, corcovado, lagoa e caipirinha. Oinc oinc!
Nossa amizade é de muita cortesia, o que não impede que sejamos brutalmente sinceras com frequência. Não há cobranças, mas sim pedidos e compreensão. Sei que não precisamos confessar uma para outra, que existe muito mais sofrimento dentro nós do que a superfície transluz, mas nem deprimidas podemos ficar. No entanto, não carece aburrinhar, pois só mesmo nos instantes de incúria é que o fenômeno episódico do contentamento chega. Sentir que genuinamente o que queremos uma para outra são coisas boas e felizes, me traz leveza e a confiança de que existe mais gente de bem por esse mundo afora. Ter uma confidente e poder expor minhas fraquezas, de alguma forma de dá mais ternura e segurança. Eu tenho capa dura, mas tenho muito medo. Medo de não ser tudo o que você pensa de mim. Medo de que a distância física e a saudade estejam fazendo motim e tomem um tempo muito grande do restante dos nossos dias nesse plano, pois a realidade é que mesmo clichê, nem tempo ou distância podem nos separar.

Eu sou grata, por ter ao meu lado nesse campo de batalha que chamamos de vida, uma guerreira xamã, pois para cruzarmos essa jornada só com magia mesmo, afinal, todas as vezes que penso em você, suas boas vibrações chegam a mim; me abraçam, acalmam, desafiam e me confortam. Peço apenas agora então, que abra seu caldeirão e crie uma poção, cheia de ação. A infusão deverá apenas adicionar um ingrediente à nossa relação: presença. Eu sinto falta dos dias que passamos juntas. Sinto falta das nossas conversas. Sinto falta do nosso riso. Sinto falta da sua irmandade. Sinto falta de você. Amo-te.

9.06.2013

Ensaio sobre as relações 1 - Andrezza

Nossa aventura em Cordisburgo foi uma de muitas, culturalmente abundante, tem é causo para pauta: foto na placa, pinturas rupestres, aulas de história direto da fonte, regadas à água ardente; sensibilidade na escolha dos lugares para montar acampamento, e um tipo de cuidado que sempre existiu ali, até um desentendimento, onde antes não havia centelha de discordância. Solucionou-se fácil e fez amadurecer. Fez também, querer não haver nenhuma faceta de desavença, nem de desventuras ou ideais. O reconhecimento do sofrimento foi apenas a afirmação de um dos fatos da vida, pois normalmente o que impera entre nós é a alegria, mesmo quando inebriadas, derrubando o chuveiro em comemorações natalinas. Na vida, nossos problemas são inerentes, é a forma como somos resilientes ao lidar com tudo que nos cerca, e a maneira positiva com a qual encaramos a jornada, que nos fazem aprender cada vez mais e amadurecer, pelo menos é o que funciona para mim.
Sempre existiu muito amor e respeito entre nós e mesmo sendo sua primeira paixão, tem coisa que preciso aprender, seja como for. Aprendi até a gostar de Roupa Nova e Titãs. E foi você também que me apresentou aos Beatles, além de ter me abençoado com algum senso de moda, afinal, eu sempre fui meio jeca e atrapalhada. Foi com meu estilo bebê bolão da felicidade, fazendo bichinho, que conquistei o melhor espaço da sua cama, principalmente quando enferma, com aquelas maças avermelhadas e os olhinhos brilhantes em busca do seu aconchego.
Nosso laço é muito maior do que qualquer traço sanguíneo, é um murmúrio sem som, onde a gente se lembra do que nunca foi de verdade, fraternas. Acreditamos em ligações de energia muito antigas, e vamos construindo e desconstruindo nossa relação, mas acima de tudo, querendo o bem uma da outra, onde quer que estejamos. Emanando boas vibrações e lembrando com frequência; mas a vida é como bicho carpinteiro, mexe e remexe, embaralha e mistura tudo. Cria, inventa e muda. Daí descarrila entristecendo e deixando um vazio tão grande. Acho que é a tal da saudade; saudade de um tempo que já não é, um sentimento que percorre cada canto do corpo, como o vento seco, prefixo das monções que fazem os olhos marejados transbordarem de emoção e minerais.
Cresci admirando suas escolhas, os três ases da rubrica me encantam e sua classe e ousadia de colocar a exuberância para jogo, me enchem de orgulho. A maternidade te faz tão bem, que até na direção você se tornou muito sabida, uma conquista sem tamanho, para alguém que achou que nunca fosse dirigir. Eu fico feliz, de ter alguma participação na sua vida, mesmo estando tão longe. No entanto, meu desejo é que pudesse fazê-lo em muitos mais momentos, estar perto com mais frequência e participar mais ativamente, pois mesmo tendo as bochechas apertadas nos tempos de berço, sempre fui cuidada com muito capricho e forma: filha, irmã, amiga. E no final das contas, existem mesmo muitas facetas na nossa relação. Vivemos grudadas por muitos anos (eu sinto muita falta desses), esticamos e amadurecemos, nos tornamos mulheres admiráveis, principalmente porque buscamos o bem e temos muito mais momentos de felicidade do que tristeza. Além do mais, em muitas situações colocamos a felicidade e conforto dos que estão ao nosso redor em primeiro plano. Fui mascote da sua turma de amigos, soube do beija-flor em primeira mão, e serestei muito em Conservatória. Conheci muitos outros lugares através dos seus olhos, como a maravilhosa Ilha Grande ou a terra do lago Igapó, tendo a possibilidade de admirar com os meus próprios e absorver todo e qualquer conhecimento. Fiz trilha de mobilete, pilotei CB450, para o desespero do meu pai; e mergulhei de barriga no rio, pois nunca se pode pular de cabeça onde não se vê o fundo. Andei a cavalo e sempre tive muita sorte nos jogos. Sorte também foi você ter me salvado da faca atirada, na loucura que foi nossa infância na casa grande, as horas que passamos subindo nos portais e fugindo de Diadorim. No começo da sua juventude, seu primeiro salário foi presente meu, a prancha dos meus sonhos, Mach 7.7, a mais valorizada no meio naquele momento. Nunca houve poupança, sempre distribuístes amor e podendo pagar, foi só mais uma maneira de demonstrar. Tem horas antigas que ficam muito mais com a gente do que outras, de recente data.
Quando a terra da garoa criou uma dificuldade um pouco maior de estarmos juntas, não houve chororô, a distância sempre foi um detalhe pequeno, e lá fora eu conhecer Sampa, sempre segurando sua mão. Coisa que sempre me lembro fazer, principalmente nos tempos das montanhas russas em viagens à Disney, que sempre tiveram um sabor especial sentada ao seu lado, a minha favorita era o trenzinho da montanha.
Sem preparo de avisar, sua vida já não era mais igual e além de si, existia uma ninfa dos bosques, de cachos dourados, que adorava brincar de monstro e tirar sonecas ao meu lado. Nasceu ali uma ligação maior do que o batismo celestial, passei a ser outra também, perdi a alcunha e virei dinda, e nas horinhas de descuido a felicidade chegava, com ou sem alarde. Até a notícia de abrir o serzinho para tirar uma laranja de dentro. Foram dias de pavor, impotência e muita reza. Anos de recuperação e orgulho por uma moça tortinha, de bem e que devora livros. Vivendo nesse descuido prosseguido, foi no mesmo dia do meu aniversário que recebi um outro presente divino, e por esse eu viro criança a cada encontro, afinal não é a toa que mais uma vez perdi o epíteto, dessa virei Gô e acho que esse veio para ficar.
As quartas sem lei em dias que o calor bradava, libertavam a natureza da gente sem nenhuma certeza absoluta, pois de verdade mesmo, somos moças desconfiadas e curiosas, rascunhos que estão constantemente precisando de escrevinhadura, pois o saber vem de mansinho, trilhando a vida de quem trabalha duro, de corpo e alma, alongando-se pelo caminho. Nós, ao longo dos anos, fomos trocando experiências, aprendendo e compartilhando, em momentos atingindo apenas a superfície vivaz e clara, em outros remexendo fundo, ebulindo emoções, transbordando alegrias e tornando momentos simples em memórias singularmente extraordinárias; como no começo da juventude em uma viagem à Maria Bonita, quando um cavalo me assustou com sua exuberância, ou quando fomos ao Sana acampar e sempre nos natais em família.

A sabença aprendida nas experiências vida não fora suficiente, e sedenta, você se institucionalizou em uma das melhores da cidade, mas antes deixou uma oportunidade para eu também crescer no mesmo meio. Trilhar seus passos não foi tarefa fácil, mas fui descobrindo, com sua ajuda, maneiras de amenizar os trancos e barrancos, e assim tentar aprender com os diferentes processos e solucionar situações com sensibilidade e eficácia. Minha alma se transforma a cada experiência e apesar das minhas fragilidades, sigo. Sua influência continua a calibrar minhas loucuras e ajuda a desenvolver minhas limitações, não sei ao certo quando foi que descobri que viver nada mais é do que reinventar-se o tempo todo, mas sei bem que o trabalho diário é árduo e interminável. Faço parte da alcatéia que debanda para o impossível, e mesmo sabendo que a maioria dos sonhos não se torna realidade, sigo. Na chance de conseguir realizar boas proezas, e tentativas de lidar com todas as situações de forma mais generosa e pacífica. Somos algozes do nosso próprio destino e cortamos nossa carne com foice, mesmo por motivos frívolos. A efêmera calmaria nesse mar de inquietações me entorpecem o cerne e inebriam os olhos, quero ir além. Além de mim, além do tempo que temos, além do amor incondicional que me liga a ti, além da fraternidade, da amizade, da distância, da saudade. Amo-te. 

5.01.2013

E se não houvesse amanhã?

Essa forma de amor intenso, maior que si, esse amor que devora a quem ama e que pode manifestar-se livremente em cada um de nós. Daquele tipo que dá medo de viver intensamente, como se a alegria pudesse despertar a inveja alheia, ou como se fossemos indignos de recebê-lo. É preciso sim, amar as pessoas como se não houvesse amanhã!

4.30.2013

Desejo coragem para quem nasceu pra sentir demais

"Que doa. Que rasgue cada véu de ilusão que foi criada. Que as lágrimas escorram gordas pela face impassível, que se derramem as retinas se o pranto de água e sal não for suficiente. Que entorpeça, que leve à beira da loucura essa sutura mal feita. Ferida que não cicatrizou, eu estava certa. Havia uma infecção emocional que apenas um bisturi poderia extirpar. Que seja. Não faço mais curativos e nem lanço mão de placebos. Que seja insônia, agonia, desespero se for este o caso. Não conheço vida sem quaisquer umas destas emoções. Mas que venha tudo: o cru, o imundo, o insuportável. Que eu possa sentir até o fundo dos poros, que todo o veneno amoleça minhas veias, que a dor, antes obsoleta, pois a vida exigia uma sucessão de alegrias, me corroa com inteireza. Mas que eu renasça... E cresça. E que possa receber, após esta limpeza, a paz.

Desejo coragem para quem nasceu pra sentir demais."

Marla de Queiroz

4.25.2013

Politicagem para refletir

Entre 2009 e 2011, o patrimônio líquido de 7% das famílias mais ricas dos EUA cresceu 28%; o dos restantes 93% encolheu em 4%. Em plena desordem neoliberal, as 8 milhões de famílias mais ricas dos EUA viram sua riqueza média saltar de US$2,5 milhões para US$ 3,5 milhões. As restantes 111 milhões tiveram queda de patrimônio: de US$140 mil para US$ 134 mil. No Brasil na última década, a renda dos 10% mais pobres cresceu 91%. A dos 10% mais ricos aumentou 16%. - Carta Maior.

Reconheço que há muito o que melhorar, mas convenhamos, por que motivo seguiríamos a receita da desigualdade do liberalismo econômico e rejeitaríamos a política econômica do governo Dilma, que se está andando devagar, pelo menos está andando para o lado certo?

4.14.2013

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus


"UPDATE: Muita gente tem lido este post como uma idealização da Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade. A Holanda não é nenhum paraíso e tem diversos problemas, muitos dos quais eu sinto na pele diariamente. O que pretendo fazer aqui é dizer duas coisas: a origem da violência no Brasil é a desigualdade social e 2, apesar da violência que gera, muita gente gosta dessa desigualdade e fica infeliz quando ela diminui, porque dela se beneficia e não enxerga a ligação desigualdade-violência. Por fim: esse post não é sobre a Holanda. A Holanda estar aqui é casual. Esse post é sobre o Brasil, minha pátria mãe.
A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.
Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.
Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).
Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções -  estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?
Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).
Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.
O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.
Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não têm qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” -  não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.
Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.
PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto."
Posted on September 14, 2009 by daniduc (Daniel Duclos)

O senhor de engenho dentro de nós


"Se hoje não temos mais a pregação explícita de uma política de branqueamento, ainda estamos distantes de superar o que Joaquim Nabuco chamou de “obra da escravidão”

Luiz Antonio Simas

É fato fartamente documentado que governos brasileiros, com apoio de parte dos segmentos mais favorecidos e de intelectuais que abraçaram a eugenia, tentaram apagar, nos primeiros anos do pós-abolição, a presença do negro da História do Brasil. Este projeto se manifestou do ponto de vista físico e cultural. Fisicamente o negro sucumbiria ao branqueamento racial promovido pela imigração subvencionada de europeus, capaz de limpar a raça em algumas gerações. Do ponto de vista cultural, houve uma tentativa sistemática de eliminar as formas de aproximação com o mundo e elaboração de práticas cotidianas (jeitos de cantar, rezar, comer, louvar os ancestrais, festejar, lidar com a natureza etc.) produzidas pelos descendentes de africanos, desqualificando como barbárie e criminalizando como delitos contra a ordem seus sistemas de organização comunitária e invenção da vida.

Se hoje não temos mais a pregação explícita de uma política de branqueamento, ainda estamos distantes de superar o que Joaquim Nabuco chamou de “obra da escravidão”. Há um senhor de engenho morando em cada brasileiro, adormecido. Vez por outra ele acorda, diz que está presente, se manifesta e adormece de novo, em sono leve.

Há um senhor de engenho nos espreitando nos elevadores sociais e de serviço; nos apartamentos com dependências de empregadas; no bacharelismo imperial dos doutores que ostentam garbosamente o título; na elevação do tom de voz e na postura senhorial do “sabe com quem você está falando?”; no deslumbre das elites que buscam “civilizar” os filhos em intercâmbios no exterior; na cruzada evangélica contra a umbanda e o candomblé; na folclorização pitoresca dessas religiosidades; nos currículos escolares fundamentados em parâmetros europeus, onde índios e negros entram como apêndices do projeto civilizacional predatório e catequista do Velho Mundo; no chiste do sujeito que acha que não é racista e chama o outro de macaco; no pedantismo de certa intelectualidade versada na bagagem cultural produzida pelo Ocidente e refratária aos saberes oriundos das praias africanas e florestas brasileiras.

Recentemente observamos a ocorrência de alguns eventos que revelam a permanência de práticas senhoriais que continuam nos assombrando. Um grupo de estudantes de Direito da UFMG realizou um trote em que veteranos se travestiam orgulhosamente de nazistas e uma caloura pintada de preto era acorrentada, portando um cartaz onde se lia “Chica da Silva”. Continua, também, a polêmica que envolve clubes de ricaços no Rio e em São Paulo que exigem uniformes identificadores das babás dos filhos bem nascidos de sinhazinhas e sinhozinhos. Temos, por fim, o siricotico de certos setores indignados com a proteção trabalhista que os empregados domésticos passarão a ter no Brasil. O argumento de que os direitos — como o FGTS — encarecerão demasiadamente o trabalho e gerarão desemprego esconde uma questão de evidente fundo cultural: o incômodo de uma elite que sempre desqualificou o serviço doméstico e é herdeira de uma das maldições que o cativeiro legou entre nós; a ideia de que a exploração do serviço braçal é quase um favor que o senhor presta àquele a quem explora. Jogam no mesmo time dos que diziam, na abolição da escravatura, que sem o seu senhor o negro quedaria desamparado.

Tudo isso nos permite constatar que o já citado Joaquim Nabuco de fato acertou na mosca. Disse ele que mais difícil do que acabar com a escravidão no Brasil seria acabar com a obra que ela produziu. É ela, a obra da escravidão, erguida em alicerces sedimentados de uma forma profunda e eficaz na alma brasileira, que até hoje nos assombra — porque nos reconhecemos nela como algozes ou vítimas cotidianas — e precisa ser sistematicamente combatida."

Luiz Antonio Simas é professor de História

4.03.2013

A história de 'O Bêbado e a Equilibrista'



"Um dos maiores clássicos da parceria João Bosco & Aldir Blanc é “O Bêbado e a Equilibrista”. Mais do que um clássico, essa música foi um hino. Um hino do Brasil na época da ditadura e da anistia. “Com ela, a música popular soube encarnar como absoluta perfeição o momento histórico”, já disse Geraldo Carneiro. “Em uma certa hora aquela música cai na mão da Elis Regina e ela se apaixona. Quando ela grava está completamente possuída por aquela música, já não nos pertence”, já disse João Bosco. E no palco do Theatro Municipal, é o próprio João Bosco quem cantará.

Lançada em 1978, a música tem forte teor político. Mas surgiu, na verdade, como um desejo de João Bosco homenagear Charles Chaplin. Chaplin tinha morrido no Natal de 1977. “Estava em Minas, naquelas festividades de Natal e Ano Novo, e as pessoas entrando já no clima carnavalesco. Comecei a querer fazer no violão algo que ligasse o Chaplin àquele momento musical brasileiro, carnavalesco”, disse João numa entrevista. “Todos sentiram muito porque ele divertiu muito e de maneira incomum. Tratando os temas eminentemente humanos e se posicionando dentro desses temas a favor dos miseráveis, do vagabundo. Mas com uma alegria, algo invejável, e no final dos filmes havia sempre um horizonte onde você podia chegar a pensar em um dia viver em um mundo diferente. Não tão desfavorecido como este”, explicou. “Mas ele fazia de uma maneira muito bonita. Eu ligava muito o Chaplin ao sorriso, tem uma música que ele compôs, Smile, que eu acho belíssima, ele também tinha uma inspiração musical. Comecei a querer fazer no violão algo que ligasse o Chaplin àquele momento musical brasileiro, carnavalesco, desenvolvendo uma linha a partir do sorriso dele, a partir de Smile. Se você pegar a linha de “O Bêbado e a Equilibrista” vai dar no 'Smile'.

A letra é cheia de referências, a começar ao próprio Charles Chaplin. "Caía a tarde feito um viaduto.. E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos...", diz a letra. O viaduto, no caso, era o Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, que desabou em 1971 deixando 29 mortos. O momento político do Brasil é lembrado várias vezes, em metáforas ou em menções como “Choram Marias e Clarisses” . As Marias e Clarices eram as viúvas dos presos políticos, representadas na letra pela Maria, mulher de Manuel Fiel Filho, e pela Clarisse, de Vladimir Herzog: os dois morreram nos porões do DOI-CODI.

É um “Brasil que sonha... com a volta do irmão do Henfil”, o sociólogo Herbert de Souza - Betinho – que estava exilado. "O que é bacana nessa música é que ela não nasceu ligada ao tema", disse Aldir Blanc. "Casualmente, encontrei o Henfil e o Chico Mário, que só falavam do mano que estava no exílio. O papo com o Chico e o Henfil me deu um estalo. Cheguei em casa, liguei para o João e sugeri que criássemos um personagem chapliniano, que, no fundo, deplorasse a condição dos exilados".

A canção foi um sucesso arrebatador. "A música foi cantada pela primeira vez, pela Elis, num programa em São Paulo. No dia seguinte, estava estourando em todo o Brasil e ainda nem tinha sido gravada", disse Aldir.

'O Bêbado e a Equilibrista' também revela as relações de amizade de João e Aldir - que, próximos de Henfil, se aproximaram mais de Elis. “Meu primeiro disco gravado, que eu dividi um lado com o Tom Jobim, foi uma idéia do Pasquim, com produção do Sérgio Ricardo. Então, como o Aldir também colaborava com o jornal, nós freqüentávamos a redação e era comum estarmos com Henfil, Sérgio Cabral, Ziraldo, Millôr... Depois, estreitei mais ainda as relações com o Henfil em função da aproximação dele com a Elis Regina, que era uma grande intérprete das nossas canções. E isso tudo gerou “O Bêbado e a Equilibrista”. É uma canção que celebra toda essa amizade: a minha, do Aldir, da Elis e do Henfil, com o Brasil", conclui Bosc
o."

3.22.2013

Enquanto isso na terrinha.

"O Brasil ficou dividido entre uma geopolítica militar e uma concepção educacional tacanha, que só concedeu prioridades retóricas à educação popular. Condenou-se a ser uma nação periférica associada, presa a determinações da dominação externa, sob as diversas manifestações modernas de imperialismo. [...] desterrou o homem do ser, desumanizando a pessoa [...]"

“LDB: prevaleceu o legal sobre o pedagógico”, Florestan Fernandes. Mais um da série: “o que seria da minha vida sem você”.

3.20.2013

Desgraça essa

"É que o prazer e o sofrimento não passam de um contraste; em luta perpétua e continua, eles se acrisolam um no outro, e se deparam: não há homem verdadeiramente feliz senão aquele que já conheceu a desgraça."

- José de Alencar, In: "O Guarani".

3.17.2013

Shipping on the Clyde - John Atkinson


Busca

'Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo.Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.'

3.12.2013

Confessionário

"Esconder-se no porão, de vez em quando, é necessidade vital. Precisamos de silêncio e solidão, e, não, apenas os poetas. Senão, corremos o perigo de nos esvairmos em som, fúria e esterilidade. O campo para que a palavra se instale para o autor e para o leitor é o campo do silêncio e da audição."

- Adélia Prado

2.03.2013

Trilha Peito do Pombo - Sana


SANA - A Trilha para o Peito do Pombo é complicada demais, pois não é marcada, mas com algumas direções fica fácil:

- É só pegar a trilha paras cachoeiras e seguir sempre na trilha principal até encontrar uma porteira, depois de uns 40 minutos (nosso primeiro erro foi não ter entrado na porteira)

- Daí já se tem uma visão do Pombo. Segue por essa porteira e vai passando por várias outras tentando sempre se manter na trilha maior. A trilha passa ao lado de um curral e chega numa ponte pequena,
a ponte foi o segundo erro: como sabíamos que tinhamos de atravessar o rio, fomos procurando pontes...atravessamos duas erradas (que nos levaram a vários caminhos diferentes e horas perdidas)
O importante então é achar a ponte certa, e no outro lado dela achar uma placa escrita "P. do P.", 
a foto da ponte é essa aí em cima.
- Atravessa essa porteira com a placa e segue a cerca do lado direito até uma porteira pequena perto dela. Depois é só seguir mais e atravessar outra cerca. (essa parece não ter passagem..mas é que elas são fechadas pros bois não passarem)

- Até aí já se passaram umas 2 horas, seguindo depois desse pasto, encontra-se uma fonte d'água (que é a última antes do Pombo). Só seguir mais um pouco e começa uma subida quase vertical pela mata.

- A subida dá numa rocha, aí você já tá embaixo da Pedra do Peito do Pombo. É só contornar com cuidado e subir mais um pouco que vai dar numa bifurcação. Pra esquerda é o Pombo, pra direita é uma pedra que serve com um mirante legal.
Repelente é uma boa pra essa trilha, além de muita água (ou clorin pois tem fontes no caminho), comida (que erramos em só levar 4 pães) e tal; e é bom ir com calça pois tem carrapatos (tivemos q colocar saco plástico nas canelas).

A trilha dura em média 3 horas pra subir e o mesmo pra descer. É bom sair cedo pra trilha, pra poder curtir mais tempo lá emcima. É bom descer antes das 16 horas pra não pegar escuridão na trilha (como pegamos).

1.31.2013

Querendo falar com Deus?

O QUE DEUS NOS FALARIA, por Baruch Espinosa

Se Deus nos falasse, diria assim:
- Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes da vida. Eu quero que gozes, que cantes, que te divirtas e que desfrutes do que eu fiz para ti.
Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios, que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas  montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Ali é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti. 
Para de me culpar da tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo 
mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar
teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas, que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho, não me encontrarás em nenhum livro.
Confia em mim e deixa de me pedir. Queres me dizer como fazer o meu trabalho?
Para de ter tanto medo de mim! Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se eu te fiz, fui eu que te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és se fui eu quem te criou?
Crês que eu poderia ter um lugar para queimar os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus faria isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, de lei; isso são artimanhas para te manipular, para te controlar, e que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não lhe faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única de que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não importa te dizer se há algo depois desta vida; mas te dou um conselho: vive como se não houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.E, se houver, tem certeza de que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. O que vou te  perguntar é se gostaste, se te divertiste. Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Para de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não preciso de que acredites em mim. Quero é que me sintas em ti. Me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Para de me louvar! Que tipo de Deus ególatra acreditas que eu seja? Me aborrece que me louvem; me cansa que me agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Expressa a tua alegria; esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas demais milagres? Para que tantas explicações?
Não me procures fora; não me acharás! Procura-me dentro. Aí é que estou; batendo em ti.



Baruch Espinosa - Filósofo-pensador [1632-1677]
As palavras acima são do filósofo e pensador Baruch Espinoza.Nasceu em 1632, em Amsterdã, e faleceu em Haia, em 21 de fevereiro de1677.


Foi um dos grandes racionalistas do século XVII, dentro da chamadaFilosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz.Baruch Espinosa era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador docriticismo bíblico moderno. Essas suas palavras foram ditas em plenoSéculo XVII, mas continuam atuais.

1.09.2013

Despedida



"E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. 
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. 
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo."
- Rubem Braga, do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.