4.17.2010

Momento


Na corda bamba,
Medo de soltar a mão,
Não sei se canto samba,
Ou se faço bolinha de sabão.
A dúvida paira no ar,
Mesmo o cenário bonito
Não dá vontade de andar
To mesmo criando um mito?

4.15.2010

Eu quero sempre mais que ontem...

Não há uma palavra que seja primeira ou a última, e não há limites para o contexto do discurso que se perde no passado, no presente ou até mesmo no futuro. Em cada um dos pontos do diálogo, existe uma multiplicidade ilimitada de sentidos, muitas vezes até esquecidos, ou quem sabe reconhecidos, porém, em um determinado ponto, no desdobramento da troca, ao sabor de sua evolução, eles serão rememorados e renascerão numa forma renovada, talvez em um novo contexto, quem sabe, né?! Não há nada morto de maneira plena ou absoluta. Todo sentido festejará um dia seu renascimento, seja lá como for, o importante é que existe.
Mesmo que de relance um dia fui a mulher descrita abaixo:


"O que eu conheço e reconheço em você é um resumo de quase tudo que eu sempre busquei nas mulheres que tive. Não que eu tenha uma expectativa única ou disponha de um modelo de esposa perfeita. Mas é claro que buscamos alguém por afinidade. Buscamos uma parceria que nos traga mais do que companhia garantida para os fins de semana. Eu quero alguém com quem possa trocar conhecimento, experiências. Alguém que saiba me ouvir e não se altere antes mesmo que eu consiga concluir minhas indagações. Uma pessoa sensata quando é preciso ser e impulsiva quando não puder ser diferente (mediada sempre por alguma fagulha de bom senso). Uma mulher interessada, esforçada, lutadora. Com consciência dos defeitos e de que sempre há tempo para mudar. Com consciência também das qualidades, para que não se subjugue ou se submeta a nada nem ninguém injustificadamente. Uma mulher que não guarde rancores, que não agrida para sentir-se vingada, mas que esteja disposta a conversar sempre que houver qualquer pendência e isso se resolva ali. Alguém que me desperte desejo e me deixe fraco só em fantasiar com ela. Uma mulher sensível e forte. Enfim! Muitas dessas características eu vejo em você, sabe? Sei que não poderia supor ainda se você é o tipo de mulher que eu descrevi, mas só o que eu já tive oportunidade de constatar já é maravilhoso. Você sempre sabe o que eu quero e preciso ouvir. Ontem à noite eu irresponsavelmente abri a carta que me enviou e comecei a ler. Foi incrível ler exatamente tudo que eu queria. Eu não acreditei! Li apenas o início e preferi parar porque tive receio do que estava sentindo. É inacreditável o que você faz comigo. Eu penso em você o tempo todo. Tenho dormido pouco porque só preciso abrir os olhos de manhã para começar a pensar em você e não conseguir mais fechar. Você está me dando olheiras! rs. Mas é uma delícia quando consigo explorar a fertilidade da minha imaginação, embora já não seja mais uma criança e tenha alguma dificuldade para isso, e chegar até você. Eu imagino o seu rosto, seus olhos, sua boca. Fico enfeitiçado. Fico fraco mesmo, a ponto de sentir minha cabeça inclinar. Minha respiração fica mais forte, eu suspiro . Complicado em demasia! Mas acho que já elaborei bastante "isso", né? Tenho medo de te ver e do que vou sentir. Hoje sonhei com você. Nem nos falamos, mas você estava lá. Eu precisei disfarçar, porque não estava sozinha. mas foi gostoso só por poder vê-la de relance, sabendo que o contexto era que estava lá por mim."

4.14.2010

Soseki Natsume


"A solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido neste período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do nosso próprio egoísmo."

4.12.2010

Caras & Caretas


De verdade, tem coisa melhor do que se divertir ?!

4.07.2010

Egocentrismo


É estranho, mas me acho egocêntrica. Não egoísta, mas egocêntrica, no sentido de que tudo gira ao meu redor mesmo, de acordo com a minha perspectiva de ver a vida.
Bom, deixa eu ver se consigo me explicar melhor... quando ouço uma música por exemplo, sei que ela não foi feita para mim, mas de alguma forma aquele sentimento transcrito pelo compositor, me remete algum momento, ou alguma pessoa que cruzou meu caminho, e aí toda vez que aquela música toca, passa um filminho da minha história real ou fantasiosa na cabeça. Ficou claro?! Ainda não, né? Calma aí que vou pegar uma maça... Tenho fome!(gosto de criar um clima intimista... rs)

Vamos lá. Quando estou lendo uma revista, e leio uma materia de econômia, por exemplo, vejo de uma maneira geral, mas penso em como aquilo afeta minha vida. Não que eu também não me incomode de não me afetar diretamente, me incomodo e muito, mas confesso não ser esse meu primeiro sentimento.

Vou pensar em analogias para tentar me explicar melhor. Vou enumerando-as, só to querendo colocar pra fora.... Sem nenhum propósito específico. Compartilhar algumas angústias....

Quando acontecem tragédias como as dos últimos dias no Rio, minha cidade maravilhosa, que eu amo de paixão, apesar de eu ,e os meus estarmos em casa são e salvos, penso que de alguma forma eu poderia ajudar os que necessitam. Quanta tragédia, quanta dor, quanta perda, e eu aqui deitadinha. É preciso agir. É preciso se movimentar, fazer a diferença....

Quando leio um texto e me identifico com ele, trago aqueles elementos para minha realidade, é claro, os que de alguma forma estão relacionados a mim, os outros acabam virando obra de ficção, e os leio por prazer e por conseguir viajar na história de outros, dando asas a imaginação e dando vida aqueles personagens dentro da minha cabeça.
Não é curioso se ver na fala do outro?! Mesmo que algo nada tenha haver com você, mas ao longo daquele discurso, você toma como real. Seus pensamentos vagam por aquelas palavras e você cria a sua própria historinha acerca daquele conteúdo, isso não acontece com você?!

Será que eu viajo demais? To ficando mais maluca?

Ai ai... Quero me doar mais....

3.30.2010

Relato de um dia

Chegamos ao Parque da Catacumba às 8:30 conforme previamente acordado. Rafael, rapaz ainda meio perdido na cidade grande, foi vencido pelo contra tempo da localização. Todos estavam muito animados e extasiados pela beleza do lugar. Apesar de muitos serem originários daquela mesma cidade, ninguém conhecia a localidade a fundo. Encravado na montanha e de natureza abundante, proporcionando contraste com a selva de pedra ao redor.
Começamos nossa jornada, dando as mãos em círculo, rodeados pela exuberância e serenidade. Fechamos os olhos e sentindo toda aquela energia fluir pelo nosso corpo, fizemos alguns instantes de silêncio buscando harmonia e equilíbrio para o início de mais um dia de aprendizagem. Subimos pelo caminho de pedras, admirando tudo que nos rodeava, tanto verde, o ar e o frescor já se faziam renovados. A excitação era tamanha, que ao invés de entrar no clima que o lugar proporcionava, todos tagarelavam com a nova descoberta e as possibilidades futuras. Cada um com suas próprias buscas, acerca de se identificar naquele maravilhoso lugar.
Soldado Mendes fazia o papel de guia, e nos contava com orgulho, o que sabia da história, da fauna e da flora do bosque que um dia foi favela. De repente, Rafael aparece esbaforido, e completa aquele grupo ao qual ele já fazia parte. Sentamos com toda a beleza natural que nos cercava, e começamos o primeiro debate, cheios de inspiração. Falávamos acerca das percepções e identificações. Os tópicos variavam de situações generalizadas, como por exemplo, a atmosfera; até situações mais específicas, como as folhas, os galhos e/ou os animais. E nesse clima harmonioso, nos preparamos para uma nova apresentação ao grupo, dessa vez em nível mais intimista e descontraído. Com um grupo tão falante onde a empatia rolava solta, a proposta acabou se alongando mais do que esperado. Retornamos a sede principal, esbarrando com Danielle, da secretaria do meio ambiente, e o Gestor do parque ao longo do caminho, que se fez bastante solicito e atencioso. Antes de conseguir lugar para sentar, meio desconfortáveis ainda, colocamos em prática a idéia de que o aprendizado, pode se dar em qualquer situação, sentamos no chão e iniciamos a leitura de um livro infantil, que abordava as diferenças(que devem ser respeitadas sempre) utilizando-se de uma analogia com os pés.
Demorou algum tempo, até que conseguíssemos descolar algumas cadeiras e nos organizássemos, para iniciar mais uma roda de leitura, com debates e reflexões. Começamos com algumas frases de Walter Benjamin, para estimular. O curioso é observar que após a leitura das primeiras palavras, já podemos notar as reações físicas, como o balançar positivo da cabeça, ou o sorriso maroto saindo do canto da boca.
O primeiro texto de Madalena Freire Weffort, nos faz refletir acerca de nossos próprios paradigmas, estagnados em estereótipos. E que para conseguirmos ensinar, precisamos estar atentos, a realmente ouvir, nos doar, entregar-nos aquela ação, muitas vezes como observador, nos utilizando principalmente da reflexão, a avaliação e o planejamento. A primeira ilustração aparece e todos são unânimes em dizer que a imaginação é uma ferramenta importantíssima, no ato da aprendizagem. Com o texto que se deu logo a seguir falando sobre faz de conta, continuamos a dar asas à imaginação e até remeteu-nos ao sentimento de nostalgia das brincadeiras do tempo de criança. As ilustrações, continuam na mesma linha de raciocínio, onde a imaginação e a realidade, muitas vezes tolidora, vai moldando nossa visão. Afinal, pregadores são peças que podem ser transformadas em algo muito mais interessante e divertido do que um porta canetas.
O sol já se fazia sentir em nossa pele, e movíamos o círculo, para escapar da ardência que os raios provocavam. Contudo, sedentos pelo saber, não arredávamos pé. O último texto também de Madalena Feire Weffort, já na introdução, nos instiga a lidar com educação como aventura, arte, e nos deixa cada vez mais motivados, mostrando que a paixão é ferramenta imprescindível no ato de educar, sempre com estrutura e organização, com teorias e metodologias a serem seguidas, e dessa forma vamos registrando principalmente o que nós é significativo e quando refletimos sobre isso já estamos totalmente inseridos no processo de aprendizagem.
Ser educador, não é apenas estar à frente de um grupo, passando conhecimento. Ser educador é um desfio constante e progressivo de estar disponível para reaprender a olhar, afinal, ser o educador é ser um alfabetizador, pois alfabetizar está ligado a todos os tipos de linguagem e faixas etárias, utilizando-se de espaços sistematizados de acompanhamento, e auxiliando em todos os aspectos a formação do conhecimento, em todos as facetas da vida: individual ou social, cognitiva, estética, afetiva...
Calvin nos coloca para pensar, com questões existenciais, será que a música “cada um no seu quadrado” tem fundamento? Não podemos compartilhar o quadrado e juntos desvendar até onde poderemos chegar com nossas intermináveis indagações?
“Só sei que nada sei” (citado por Platão in: "Apologia de Sócrates")
Para finalizar, mais um livro infantil e mais um aprendizado importante. “Esta é a minha casa”? Esta é a nossa casa, seja o planeta, seja o nosso corpo, seja a nossa mente. “O exercício” deve ser constante e interminável, o educador é um eterno educando.
E assim nosso dia se finalizou!

1.30.2010

Ciclos - Fernando Pessoa

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te:Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"